"As minhocas têm cérebro?", meu amigo me perguntou. Não respondi, mas me conectei com a divagação. E, tão logo ele terminou de narrar o seu fluxo de pensamento, eu adormeci. Não por tédio ou desinteresse, mas porque havia realmente me conectado à pergunta. E, pensando, ouvindo... apaguei - como que ansiosa para botar em funcionamento outro maquinário mental, as engrenagens dos sonhos e da serena insanidade do inconsciente. Suavemente, apaguei. Lembro de ter sonhado que ratazanas tentavam invadir o meu quarto e eu fechava a porta violentamente, esmagando algumas no processo. Me acordei para mudar de posição na cama, não consegui abrir os olhos completamente, mas vi o escuro do quarto - tudo retorcido, embaçado, confuso. A delícia da falta de clareza mental, do delicado enjoo de desorientação. Dormi de novo.
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